ARTHUR BISPO DO ROSÁRIO
"É do conhecimento de todos a precariedade das instituições que acolhem nossos doentes mentais. Mas o que poucos sabem é que o Brasil foi um dospioneiros no tratamento alternativo desses pacientes. Na década de 1950, a psiquiatra brasileira Nise da Silveira inaugurou um método revolucionário ao propor a combinação de acompanhamento médico e atividades artísticas que surpreendeu até mesmo o pai da chamada psicologia analítica, Carl Gustav Jung".
ARTE SERGIPANA QUE GANHOU O MUNDO
Arthur Bispo do Rosário, louco para alguns, gênio para os outros. Da sucata e do lixo, ele produzia uma série de trabalhos que apenas pretendiam marcar a passagem de Deus na terra.
Como é de costume, a sociedade faz pouco caso das pessoas que, por doença, opção ou um motivo qualquer, não se enquadram em determinados padrões considerados “normais”. Esse era o caso de Arthur Bispo do Rosário, hoje considerado um gênio das artes plásticas brasileiras, com trabalhos expostos em muitas salas fora do Brasil. Essa consagração se tornou concreta apenas no final de sua vida. Por muitos anos, mais de cinqüenta, ele esteve internado na Colônia Juliano Moreira, o maior e mais antigo manicômio do Rio de Janeiro, sob a acusação de ser um doente mental. Quem poderia imaginar que daquele estranho mundo pudesse sair um gênio da arte?"
Biografia
"Descendente de escravos africanos foi marinheiro na juventude, vindo a tornar-se empregado de uma tradicional família carioca.
Na noite 22 de Dezembro de 1938, despertou com alucinações que o conduziram ao patrão, o advogado Humberto Magalhães Leoni, a quem disse que iria se apresentar à Igreja da Candelária. Depois de peregrinar pela rua Primeiro de Março e por várias igrejas do então Distrito Federal, terminou subindo ao Mosteiro de São Bento, onde anunciou a um grupo de monges que era um enviado de Deus, encarregado de julgar aos vivos e aos mortos. Dois dias depois foi detido e fichado pela polícia como negro, sem documentos e indigente, e conduzido ao Asilo D. Pedro II (o hospício da Praia Vermelha), primeiro instituição oficial desse tipo no país, inaugurada em 1852, onde anos antes havia sido internado o escritor Lima Barreto (1881-1922).Um mês após a sua internação, foi transferido para a Colônia Juliano Moreira, localizada no subúrbio de Jacarepaguá, sob o diagnóstico de "esquizofrênico-paranóico". Aqui recebeu o número de paciente 01662, e permaneceu por mais de 50 anos.
Em determinado momento, Bispo do Rosário passou a produzir objetos com diversos tipos de materiais oriundos do lixo e da sucata que, após a sua descoberta, seriam classificados como arte vanguardista e comparados à obra de Marcel Duchamp. Entre os temas, destacam-se navios (tema recorrente devido à sua relação com a Marinha na juventude), estandartes, faixas de mísses e objetos domésticos. A sua obra mais conhecida é o Manto da Apresentação, que Bispo deveria vestir no dia do Juízo Final. Com eles, Bispo pretendia marcar a passagem de Deus na Terra.
Os objetos recolhidos dos restos da sociedade de consumo foram reutilizados como forma de registrar o cotidiano dos indivíduos, preparados com preocupações estéticas, onde se percebem características dos conceitos das vanguardas artísticas e das produções elaboradas a partir de 1960.
Utilizava a palavra como elemento pulsante. Ao recorrer a essa linguagem manipula signos e brinca com a construção de discursos, fragmenta a comunicação em códigos privados.Inserido em um contexto excludente, Bispo driblava as instituições todo tempo. A instituição manicomial se recusando a receber tratamentos médicos e dela retirando subsídios para elaborar sua obra, e Museus, quando sendo marginalizado e excluído é consagrado como referência da Arte Contemporânea brasileira".
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